Os Emirados Árabes Unidos anunciaram que deixam a Opep e a Opep+ com efeito a partir de 1º de maio. Em entrevista, o ministro da Energia do país avaliou que os efeitos imediatos serão limitados, sobretudo porque o fechamento do Estreito de Ormuz — por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial — reduz a circulação e a oferta no curtíssimo prazo.
A Opep, criada em 1960 e ampliada ao longo das décadas, segue como referência para metas de produção. No conjunto ampliado da Opep+, a produção média em março ficou em 35,06 milhões de barris por dia. Segundo a EIA, os Emirados respondiam por cerca de 13,6% da produção do grupo — algo em torno de 4,6 milhões de barris por dia — e por 4,3% da produção mundial. Esses números explicam por que a saída de Abu Dhabi altera o mapa da oferta.
No médio e longo prazo, fora do cartel os Emirados ganham margem para elevar produção — estimada em cerca de 5 milhões de barris diários — potencialmente acima das cotas que vinham respeitando. Analistas consultados em reportagens especializadas apontam que, com a normalização das rotas marítimas, esse aumento de oferta tende a pressionar os preços para baixo e a ampliar a volatilidade nos mercados internacionais.
Para o Brasil, uma queda gradual nos preços internacionais do petróleo pode aliviar a inflação associada a combustíveis e seus derivados. Na prévia da inflação de abril, a gasolina subiu 6,23% — principal impacto individual do mês, 0,32 ponto percentual — e o diesel teve alta de 16,00%, pressão relevante sobre transportes e custos de logística. Menores cotações internacionais, combinadas à recente depreciação mais baixa do dólar frente ao real, podem reduzir a transmissão para os preços internos.
A saída dos Emirados não é um alívio automático: há janela para redução de preços, mas também maior incerteza e risco de oscilações. Para o governo, o movimento representa ao mesmo tempo uma oportunidade de menor pressão inflacionária e um desafio de curto prazo na gestão da política de combustíveis e da comunicação com a opinião pública. Resta acompanhar como a oferta efetiva será ajustada e como isso repercutirá no câmbio, nos custos e no bolso do consumidor nos próximos meses.