Empresários que acompanharam a apresentação do Plano Brasil Soberano 2026 consideram que o formato geral atende à necessidade de socorro aos setores afetados, mas levantam reserva sobre o custo do crédito. Nas operações indiretas — as que passam por bancos repassadores — as taxas anuais estimadas variam, segundo interlocutores do mercado, entre 8,1% e 17,4% a.a., um intervalo que para muitos coloca em xeque a capacidade do programa de atingir de fato empresas em dificuldade.
A composição dessas taxas, segundo as lideranças ouvidas, incorpora o custo dos fundos (vinculado à Taxa LCD e aportes fixos), a taxa de remuneração do BNDES, fixada em 1,5% a.a., e o spread do agente financeiro, limitado em até 5% a.a. É essa soma — e não apenas a parcela do banco público — que define o juro final que chegará ao tomador. Para empresários, o efeito prático é que o benefício anunciado pode ficar bastante diluído quando chega ao caixa das empresas.
A questão tem implicações políticas e econômicas claras. Juris nominais nessa faixa podem reduzir a adesão ao programa, diminuir o alcance do socorro e, consequentemente, limitar a recuperação de setores em contração. Do ponto de vista do governo, os números acendem alerta: um desenho que não resulte em demanda robusta pelo crédito corre o risco de gerar custo político sem entregar resultado prático, além de forçar repactuações ou concessões adicionais no futuro.
Da esfera empresarial, a recomendação é que o Executivo reavalie componentes que elevam a taxa final — seja por ajuste na composição dos fundos, redução do spread efetivo ou mecanismos complementares de subsídio — para preservar a eficácia da medida. Sem correções, o plano pode manter a retórica de socorro, mas falhar em seu principal objetivo: aliviar rapidamente empresas e preservar empregos.