O governo dos Estados Unidos ativou a fase inicial do sistema CAPE, destinado a consolidar e pagar eletronicamente reembolsos de até US$ 166 bilhões referentes a tarifas impostas no último ano e derrubadas pela Suprema Corte. A mudança promete simplificar o processamento — reunindo valores e incluindo juros quando cabíveis — em vez de reembolsos item por item.
Até 9 de abril, segundo documentos do órgão alfandegário CBP, 56.497 importadores concluíram o cadastro no novo portal, reivindicando cerca de US$ 127 bilhões; ao todo, mais de 330 mil importadores haviam pago as tarifas ligadas a 53 milhões de embarques. Para empresas, o montante representa diferença significativa no fluxo de caixa, com executivos destacando que cada dólar conta no balanço.
A pressa em acessar o sistema expõe riscos operacionais. Importadores relatam dificuldades no registro — desde exigência redundante de dados bancários até problemas por pequenas variações no nome da empresa — e alertam que um alto volume de acessos pode sobrecarregar o portal nos primeiros dias. Alguns consideram prudente aguardar estabilização do processo antes de protocolar pedidos maiores.
Além do alívio financeiro para empresas, o episódio traz custo político para a administração que implementou as tarifas: a decisão judicial e o gasto potencial com reembolsos reforçam a dimensão econômica da disputa comercial. Resta acompanhar se a CBP conseguirá administrar o volume e entregar os pagamentos sem atrasos que, na prática, transfeririam o ônus para fornecedores, distribuidores e para a própria confiança nas regras do comércio.