Empresas de transporte urbano intensificam diálogo com o governo federal para alterar o enquadramento do setor na reforma tributária e obter incentivos que facilitem a renovação da frota nos próximos anos. A pressão ganha força à medida que operadores apontam necessidade de recursos para projetos de modernização, como a eletrificação de ônibus, e lembram que o período de transição da reforma começa em 2027.
A PEC promulgada em dezembro de 2023 trouxe duas alternativas para as companhias: a isenção total ou a redução de alíquota com possibilidade de recuperação integral de créditos. Na etapa de regulamentação, entretanto, o transporte coletivo urbano foi colocado no modelo de isenção sem recuperação de créditos — um arranjo semelhante ao vigente até então — o que tem provocado insatisfação do setor.
O argumento central das empresas é econômico: com tarifa e receita operacionais pressionadas, juros altos e acesso restrito ao crédito, a simples isenção não cria estímulo suficiente para investimentos de grande porte. Especialistas consultados pela reportagem lembram que a reforma deveria ser um mecanismo para incentivar capex; na visão do mercado, permitir recuperação de créditos em vez de apenas isenção amplia o apelo por investimentos privados.
Além de atender a demandas do setor, defendores da mudança afirmam que a inclusão de créditos pode reduzir a necessidade de subsídios públicos para renovar frotas no futuro. Ainda assim, a opção de combinar alíquota zero com crédito é vista como improvável no cenário atual. O debate promete ser técnico e político durante a janela de transição (2027–2032), com impactos fiscais e regulatórios que exigirão equilíbrio entre estímulo ao investimento e disciplina fiscal.