Às vésperas de uma nova etapa da reforma tributária, prevista para começar em 3 de agosto, a maior parte das empresas brasileiras ainda não está pronta. Levantamento da Resenha Company com cerca de 80 empresários revela que apenas 42,5% se consideram preparados ou em estágio avançado. Os outros 57,5% permanecem em fase de adaptação ou ainda não iniciaram a preparação.

A pesquisa mostra que a agenda deixou de ser apenas conformidade: a reforma passou a integrar decisões estratégicas sobre tecnologia, processos, contratos e gestão financeira. Entre os desafios apontados, 30% dos entrevistados citam a dificuldade de acompanhar a regulamentação e interpretar impactos; 25% destacam a adaptação de sistemas e ERPs; 20% mencionam a preparação de equipes e integração entre áreas; 15% temem comprometer a operação durante a transição; e 10% apontam dificuldade em projetar cenários financeiros.

Os efeitos práticos já são calculados pelos empresários: 30% esperam rever custos, margens e políticas de precificação; 22,5% sinalizam mudanças no planejamento financeiro e no fluxo de caixa; 20% preveem reformulação de controles fiscais e governança; 15% admitem a necessidade de renegociar contratos. Só 12,5% veem ganhos claros de eficiência no médio prazo. O quadro reforça que a alteração tributária impõe custos imediatos e demandas por investimento em tecnologia e gestão.

O retrato é de uma implementação que combinará risco operacional, pressão sobre margens e necessidade de clareza regulatória. Com prazos já definidos, a incerteza técnica e interpretativa recai sobre empresas e fornecedores de TI, e também sinaliza a necessidade de respostas mais precisas por parte das autoridades fiscais. Para muitos negócios, a janela para evitar impacto em preço ao consumidor e capacidade competitiva é curta.