A Enter, startup brasileira de tecnologia jurídica, tornou-se o primeiro unicórnio de inteligência artificial da América Latina ao atingir valuation de US$ 1,2 bilhão na rodada Série B. A captação, acima de US$ 100 milhões, foi liderada pelo Founders Fund com participação de Ribbit Capital, Sequoia Capital, ONEVC, Atlantico e Kaszek — sinal claro do apetite internacional por soluções de IA originadas no Brasil.
Fundada há cerca de dois anos e meio, a empresa registra crescimento acelerado: desde a Série A a receita subiu mais de dez vezes e a base de clientes triplicou. O EnterOS processa hoje mais de 300 mil ações por ano e já é adotado por grandes companhias como Bradesco, Nubank, Mercado Livre, Airbnb, LATAM Airlines e Azul, além de outras 40 grandes empresas, segundo a própria companhia.
O avanço traz ganhos prováveis em eficiência para departamentos jurídicos e pode reduzir custos para empresas e, indiretamente, para cidadãos. Ao mesmo tempo, a concentração de processamento de processos judiciais em plataformas privadas levanta questões relevantes: governança dos modelos, proteção e privacidade de dados sensíveis, critérios de decisão automatizada e risco de dependência de poucos fornecedores.
Do ponto de vista econômico, o novo valuation reforça a capacidade de atração de capital estrangeiro ao ecossistema brasileiro de startups e valida uma estratégia de exportação de tecnologia. Mas também impõe um desafio às autoridades e ao mercado: equilibrar incentivo à inovação com regras claras de supervisão e responsabilidade, para que ganhos de produtividade não se traduzam em fragilidades institucionais ou riscos para direitos fundamentais.