A entrega das chaves é o ponto culminante da compra de um imóvel na planta — e também o momento em que falhas são anotadas e custos aparecem. Antes de assinar o recibo e ocupar a unidade, o comprador precisa checar documentação e fazer uma vistoria técnica detalhada. Ignorar esse processo pode transformar problemas consertáveis em despesas posteriores e em desgastes jurídicos e administrativos.

O memorial descritivo, registrado em cartório, é o documento-base: nele constam especificações de materiais, acabamentos e equipamentos prometidos. Grandes incorporadoras costumam fornecê‑lo e usá‑lo na vistoria. Qualquer divergência entre o que foi divulgado ou assinado e o que está entregue — desde o tipo de piso até louças e esquadrias — deve ser exigida como correção ou discutida para indenização. A publicidade do empreendimento também integra esse parâmetro de comparação.

Na prática, a inspeção envolve testes simples e práticos: abrir e fechar janelas e portas para checar vedação; escurecer ambientes para localizar frestas; bater levemente no piso para ouvir zonas ocas; verificar desníveis entre cômodos; testar tomadas, interruptores e a identificação dos circuitos no quadro de luz. A parte hidráulica pede atenção redobrada — vazão, escoamento e descargas em sequência — e instalações de gás exigem profissional qualificado por riscos óbvios. As áreas comuns e vagas de garagem devem refletir o memorial e o material de venda.

Documento essencial para a regularização é o Habite‑se, emitido pela prefeitura; sem ele o financiamento pode não ser liberado e a própria entrega pode ser questionada. Registre todas as inconformidades por escrito no relatório de vistoria, guarde fotos e protocolos e exija prazo para reparos. A postura do comprador é também uma questão de custo: corrigir problemas na planta costuma sair menos caro do que reparos posteriores, e a resistência à conferência pode reduzir o poder de negociação em caso de atraso ou descumprimento.