A recente corrida por ativos ligados à inteligência artificial reacendeu comparações com a bolha da internet do fim dos anos 1990. O Nasdaq subiu mais de 20% desde 30 de março e o índice de semicondutores da Filadélfia saltou cerca de 70% entre o fim de março e a segunda-feira 11 — movimentos que, combinados, acentuam a concentração de ganhos em poucos nomes.

Mesmo diante de choques geopolíticos — incluindo o fechamento do Estreito de Ormuz e conflitos na Europa e no Oriente Médio — e sinais de arrefecimento do mercado de trabalho nos EUA, ações de tecnologia mantiveram a alta. O S&P 500 chegou a recorde enquanto 5% de seus componentes marcavam mínimas de 52 semanas, evidenciando que o avanço não é universal.

Há argumentos sólidos em ambas as pontas: empresas lucrativas e com fluxo de caixa positivo contrastam com uma expansão inédita na construção de data centers e na demanda por semicondutores, que ampliam a magnitude do ciclo. Estratégas veteranos alertam para riscos de excesso de otimismo e para a possibilidade de correções abruptas, enquanto otimistas destacam resultados corporativos melhores do que o esperado.

Para gestores e autoridades, o dilema é concreto: calibrar exposição sem ignorar ganhos reais, mas sem subestimar a vulnerabilidade de um mercado movido por expectativas tecnológicas. A concentração eleva a sensibilidade a notícias macro e aumenta o custo de erro para investidores. No plano doméstico, fundos e carteiras com peso em tecnologia precisarão rever gestão de risco; para o mercado global, a lição é lembrada: euforia e fundamentos nem sempre andam juntos.