O Departamento de Energia dos Estados Unidos (DoE) informou queda de 3,327 milhões de barris nos estoques de petróleo na semana encerrada em 22 de maio, para um total de 441,686 milhões de barris. O número veio abaixo da projeção de analistas consultados pelo The Wall Street Journal, que esperavam recuo de 4,0 milhões de barris. A discrepância entre expectativa e dado efetivo indica um ajuste de oferta menos intenso do que previsto pelo mercado.
Os sinais de aperto de oferta se estendem aos produtos refinados: os estoques de gasolina caíram 2,572 milhões de barris, para 211,591 milhões, ante expectativa de queda de 2,2 milhões; e os estoques de destilados recuaram 2,107 milhões, para 100,799 milhões, frente à projeção de queda de 1,1 milhão. Essas reduções sugerem demanda firme por combustíveis ou ritmo de reposição inferior ao esperado, com impacto direto na dinâmica de formação de preços.
A taxa de utilização da capacidade das refinarias subiu de 91,6% para 94,5%, acima da projeção de 92,4%, o que aponta a indústria processando mais petróleo bruto em resposta às necessidades do mercado. Ao mesmo tempo, os estoques em Cushing, centro de armazenamento e referência para o contrato WTI, registraram queda de 2,794 milhões de barris, para 23,024 milhões. Esses movimentos reforçam leitura de menor folga entre oferta e demanda no curto prazo.
Em contraponto parcial, a produção média diária de petróleo dos EUA aumentou a 13,715 milhões de barris na semana, atenuando — mas não anulando — a redução de inventários. No conjunto, os dados compõem um quadro em que maior utilização de refinarias e quedas nos estoques podem sustentar pressões altistas sobre os preços do petróleo e dos combustíveis. Para países importadores, inclusive o Brasil, essa trajetória tende a repercutir na cotação internacional e, por consequência, na inflação de energia e transporte.
Do ponto de vista econômico, o relatório do DoE acende um sinal de atenção: a combinação entre estoques mais baixos e maior atividade das refinarias reduz margeamento de segurança e amplia sensibilidade a choques de oferta. Para mercados e formuladores de política, o desafio é monitorar se a alta na produção consegue estabilizar os estoques nas próximas semanas ou se a tendência de aperto ganha força, pressionando preços e complicando metas de inflação.