O anúncio feito pelo presidente dos Estados Unidos em sua rede social — de que Washington pretende cobrar uma taxa de 20% sobre a carga que transita pelo Estreito de Ormuz e retomar bloqueios a portos iranianos — provocou um salto imediato no preço do petróleo, que subiu cerca de 9% na sessão. A declaração ocorre num momento de retomada das hostilidades entre EUA e Irã após o fim do memorando de entendimento e do cessar‑fogo entre os dois países.
Especialistas consultados destacam que a volatilidade deve persistir enquanto a situação na região não se estabilizar. Para Thiago Valejo, da Firjan, a combinação entre hostilidades e o anúncio do pedágio explica boa parte da alta. O efeito no preço final dependerá de como a cobrança for aplicada: se o percentual incidir sobre o valor da carga — e não apenas sobre fretes — o impacto será muito maior. A referência técnica é que um petroleiro pode transportar milhões de barris por viagem, o que tornaria o ônus substantivo.
O efeito de alta no barril tende a se traduzir em pressão inflacionária global e setorial, alerta Pedro Rodrigues, do CBIE. A escalada anterior dos ataques já mostrou transmissão para índices de preços, quando o barril mais caro pressionou o IPCA acima das expectativas do mercado. Ainda assim, parte do aumento observado hoje tem caráter narrativo; Rodrigues lembra que a medida pode não sair do papel, justamente por custos políticos e comerciais relevantes.
Para economias como a brasileira, o risco é o repasse do aumento do petróleo aos preços de gasolina e derivados, com efeito direto sobre a inflação e o poder de compra. No curto prazo, mercados e autoridades vão acompanhar não só o nível dos preços, mas sobretudo a plausibilidade e a forma de implementação do pedágio: se virar prática, amplia custos e incertezas; se ficar apenas na retórica, o impacto pode ser temporário, mas suficiente para elevar a volatilidade dos combustíveis.