Principais armadores condicionam a volta das travessias pelo Estreito de Ormuz a garantias claras de segurança e sustentabilidade, disseram executivos da Mitsui O.S.K. Lines (MOL) e da belga CMB.Tech na Semana Marítima de Cingapura. O cessar‑fogo temporário, segundo eles, não se traduziu em passagem segura.
Jotaro Tamura, CEO da MOL, afirmou que dúvidas operacionais permanecem mesmo com eventual reabertura: o estreito pode estar, na prática, parcialmente aberto, mas ainda com riscos reais — e citou o alerta da Guarda Revolucionária do Irã sobre minas na região. O tráfego está praticamente paralisado desde o início do conflito entre EUA e Irã, em 28 de fevereiro; normalmente cerca de 130 navios por dia transitam ali, mobilizando cerca de 20% do suprimento diário global de petróleo e GNL.
Alexander Saverys, da CMB.Tech, disse que as empresas não dispõem de proteção nem de garantias de trânsito seguro e que aguardam sinais concretos antes de retomar rotas. Ambos os executivos lembraram que o estreito é considerado passagem livre pelo direito internacional e rejeitaram a prática de pedágios informais; avisaram, porém, que qualquer mudança prática na rotina de navegação será objeto de reação por parte dos armadores.
A paralisação prolongada tem efeito direto sobre custos de frete e oferta de energia, criando pressão adicional sobre preços globais e cadeias logísticas. Para o Brasil, a disrupção eleva o risco de maior volatilidade em combustíveis e insumos importados — cenário capaz de complicar metas de inflação e exigir respostas de política econômica.
Executivos e analistas cobram coordenação internacional e garantias operacionais para que a normalização não seja apenas formal. Sem provas concretas de passagem segura e sustentável, a retomada efetiva das travessias permanece contingente e o mercado continuará a precificar um prêmio de risco elevado.