Dados da B3 e da gestora Investo apontam um movimento forte no mercado: os ETFs de renda fixa passaram de R$ 8,8 bilhões em dezembro de 2024 para R$ 51 bilhões só neste ano. O salto evidencia uma migração de recursos para produtos negociados em bolsa que reúnem títulos públicos e privados em um pacote negociável com facilidade de entrada e saída.
Gestores e especialistas atribuem o fluxo à combinação entre praticidade, diversificação automática e um apelo tributário. Em muitos casos a alíquota aplicada aos ETFs de renda fixa fica em 15%, enquanto a tabela regressiva de tributos sobre títulos diretos começa em 22,5% e só atinge 15% em prazos longos — fator que torna o produto atraente para estratégias de menor prazo.
Mesmo assim, a estrutura do ETF difere do investimento direto em títulos: não há vencimento por papel e o gestor precisa rebalancear a carteira, mantendo exposição constante e sujeita à marcação a mercado. Em cenários de alta de juros, isso pode fazer com que ETFs renda fixa percam para títulos individuais que se aproximam do vencimento — risco que nem sempre é compreendido por investidores menos experientes.
O lançamento de 12 novos ETFs de renda fixa em 2026 sinaliza empenho das gestoras e maior oferta, mas também fortalece a necessidade de educação financeira e transparência. Para além da conveniência, o crescimento do segmento terá efeitos sobre a alocação de poupança, pressiona concorrência entre gestoras e exige que investidores avaliem liquidez, custo e objetivo antes de migrar recursos.