A Ethiopian Airlines informou que deve decidir nos próximos três meses sobre um pedido de 25 jatos menores destinado a ampliar sua malha doméstica e rotas a países vizinhos. O anúncio foi feito pelo CEO Mesfin Tasew Bekele durante encontro da IATA no Rio de Janeiro. Hoje a companhia opera uma frota de 147 aeronaves, e a aquisição visa reforçar ligações regionais e de curta distância.

A escolha terá repercussão direta no mercado: a Ethiopian avalia o Airbus A220, o Embraer E2 e o Boeing 737 MAX 7 — este último com certificação da FAA esperada ainda este ano. O programa A220 segue com resultados financeiros negativos e enfrenta forte competição da Embraer, o que torna a decisão também estratégica para fabricantes que disputam espaço nos jatos de porte menor.

O contexto econômico amplia a complexidade. Como outras aéreas, a Ethiopian sentiu os efeitos da elevação dos preços do querosene, atribuída em parte ao cenário geopolítico referido pela companhia. No conjunto do sistema, os custos com combustível subiram cerca de 60%, e a empresa já ajustou a oferta, reduzindo voos para o Oriente Médio — entre eles a frequência para Dubai — para calibrar demanda e despesas. A questão do abastecimento foi descrita como superada; o problema persistente é o preço.

Para a Ethiopian, a decisão nos próximos meses será um teste de equilíbrio entre necessidade de conectividade regional e pressão por eficiência nos custos operacionais. Para os fabricantes, o pedido pode sinalizar preferência por conceito de aeronave, impacto competitivo e ritmo de recuperação da demanda regional. O recado ao mercado é claro: a expansão está condicionada à capacidade de amortecer custos externos — sobretudo combustíveis — sem comprometer a viabilidade econômica da rede.