O cônsul‑geral dos Estados Unidos em São Paulo, Kevin Murakami, afirmou nesta terça‑feira que "as portas dos Estados Unidos estão mais do que nunca abertas para o capital brasileiro", em discurso voltado a empresários e lideranças. A mensagem é clara: Washington busca atrair empresas brasileiras para ampliar parcerias privadas entre os dois países.

Murakami justificou o apelo citando fatores que tornam os EUA atrativos, como menor carga tributária em comparação a algumas jurisdições, um grande mercado consumidor e uma cultura favorável ao empreendedorismo. Ele também citou investimentos já concretizados por grupos brasileiros, mencionando nomes como Embraer e JBS, e afirmou que estados, governadores e agências de desenvolvimento estão dispostos a fortalecer laços com o setor privado.

Apesar de a investigação baseada na chamada Seção 301 — que pode culminar em tarifações contra produtos brasileiros — ser tema central do encontro, o cônsul evitou tratar do assunto publicamente. A administração americana tem até 15 de julho para decidir sobre a proposta, que seguirá para consultas públicas e audiências antes de qualquer medida final.

A avaliação majoritária dos empresários presentes é de que o impasse será resolvido no curto prazo e que eventuais tarifas teriam impacto limitado. Ainda assim, o silêncio oficial do cônsul sobre a Seção 301 expõe a sensibilidade política do tema e mantém um instrumento de pressão diplomática em aberto, o que pode gerar custo econômico para exportadores e incerteza para cadeias de valor brasileiras.

No plano político e econômico, a combinação de convite ao investimento e omissão sobre medidas protecionistas cria uma contradição funcional: ao mesmo tempo em que os EUA cortejam capital brasileiro, preservam alavancas que podem afetar setores exportadores. O governo brasileiro tem um prazo estreito para monitorar desdobramentos, preparar respostas técnicas e reduzir a exposição de empresas que podem ser alvo de barreiras comerciais.