Os Estados Unidos formalizaram nesta segunda-feira (10) a aceitação do pedido do Brasil para realizar consultas na Organização Mundial do Comércio sobre o chamado 'tarifaço' que soma 37,5% aplicado a mercadorias brasileiras. O aceite, comunicado em carta, permite que as equipes negociais dos dois países se reúnam diretamente para tentar resolver a disputa.
O pedido brasileiro, protocolado no dia 27, questiona tanto as sobretaxas específicas de 25% dirigidas ao país quanto as tarifas de 12,5% justificadas por alegações de uso de trabalho forçado — medidas que também atingem dezenas de outros exportadores. Na mesma terça-feira, a China informou interesse em participar das consultas, argumentando que as investigações e sobretaxas afetam substancialmente suas exportações para os EUA.
Do ponto de vista prático, o aceite dos EUA é um avanço diplomático, mas o governo brasileiro já advertiu que o caminho via OMC tem potencial limitado. Se as consultas não levarem a um acordo, o próximo passo é a criação de um painel; contudo, com o Órgão de Apelação paralisado, a capacidade de resolver e aplicar decisões finais fica comprometida, reduzindo o efeito dissuasório das medidas e alongando a incerteza para empresas exportadoras.
O episódio acende alerta para impactos concretos: perda de competitividade, custos logísticos e tarifários adicionais e pressões sobre cadeias produtivas. Politicamente, amplia a necessidade de articulação diplomática e de respostas comerciais calibradas pelo governo para defender setores afetados sem sacrificar clima de negócios nem a disciplina fiscal. A disputa na OMC será, assim, tanto um teste de capacidade de diplomacia econômica quanto um termômetro das consequências práticas do conflito comercial.