O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que Washington está disposto a aplicar sanções secundárias contra países que continuem a comprar petróleo iraniano ou a aceitar recursos ligados a Teerã. A declaração, feita ao justificar a Operação “Fúria Econômica”, reforça a estratégia de pressão máxima que, segundo ele, tem sido mantida por mais de um ano, incluindo medidas contra contas da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e pedidos de congelamento de ativos da liderança iraniana.
Bessent rejeitou interpretações de que as sanções atuais seriam ineficazes, mas deixou claro que o governo americano comunicou a aliados e parceiros que medidas adicionais — descritas por ele como “muito severas” — podem recair sobre nações, bancos e instituições financeiras que facilitem negócios com o Irã. Em paralelo, a administração Trump já anunciou, em janeiro, a intenção de aplicar uma tarifa de 25% a países que negociem com Teerã, um instrumento que atingiria diretamente grandes parceiros comerciais, como a China.
O recado expõe uma tensão clássica entre política externa e comércio: ao ampliar o alcance extraterritorial de suas sanções, os EUA forçam escolhas difíceis para governos e bancos que dependem do mercado americano. Bessent citou especificamente que a ameaça foi reiterada a dois bancos chineses, sem identificá-los, elevando ainda mais a incerteza para instituições financeiras e para o fluxo de petróleo e pagamentos internacionais.
Do ponto de vista econômico e diplomático, a postura americana acende alerta para países que mantêm relações comerciais com o Irã. A escalada pode recomplicar cadeias de abastecimento, pressionar diplomacias e aumentar o custo político de permanecer no bloco de compradores iranianos. Resta acompanhar se a pressão se traduzirá em conformidade ampla ou em retaliações comerciais e judiciais de parceiros estratégicos.