O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quarta que o governo brasileiro não trabalha com a expectativa de que os Estados Unidos incluam exceções setoriais na tarifa de 12,5% prevista sobre importações. A declaração foi feita após o lançamento do Plano Brasil Soberano 3, medida que prevê até R$ 18,5 bilhões para mitigar impactos sobre empresas e setores estratégicos.

A administração americana deve formalizar nos próximos dias uma lista de tarifas — que variam entre 10% e 12,5% — dirigida a produtos de 86 países, sob a justificativa de suposto uso de trabalho forçado na produção. O ministro destacou ainda a preocupação com a cumulatividade entre seções distintas da legislação tarifária: se as alíquotas se acumularem, o efeito sobre exportadores pode ser muito superior ao anunciado.

No discurso oficial, Rosa insistiu na busca para evitar que as tarifas se somem a medidas anteriores, mas admitiu que há indefinição até o anúncio, previsto para sexta-feira. Pela ótica do comércio, a ausência de exceções amplia o custo sobre cadeias produtivas competitivas e tende a reduzir margens de exportadores que já enfrentam desafios logísticos e cambiais.

O Plano Brasil Soberano 3 é a resposta imediata do governo para atenuar o impacto, mas também implica custo fiscal e pressão por medidas de eficácia rápida. A combinação de tarifação externa e apoio emergencial expõe uma janela de vulnerabilidade: empresas demandarão medidas práticas além da injeção de recursos, como maior acesso a crédito e articulação diplomática para abrir brechas ou prazos de transição.

Politicamente, o episódio acende alerta sobre a capacidade do Executivo de proteger setores exportadores sem recorrer a soluções onerosas. A postura oficial — de não contar com exceções — complica a narrativa de estabilidade para a indústria e reforça a necessidade de negociação intensa com os EUA e de respostas domésticas bem calibradas para evitar perda de competitividade e aumento do custo político.