A tarifa de 25% anunciada pelos Estados Unidos e formalizada pelo USTR passou a vigorar à 01h01 de Brasília desta quarta-feira. A medida decorre de investigação conduzida no âmbito da Seção 301 da legislação comercial norte-americana, processo que ganhou impulso após a proposta anterior de alíquota de 50% feita em julho de 2025. O impacto imediato recai sobre “certos produtos” brasileiros, em especial segmentos da indústria e do agronegócio que vinham pedindo clareza nas negociações.
O USTR alega que políticas brasileiras sobre comércio digital, regimes preferenciais, combate à corrupção, processamento de patentes, pirataria, etanol e desmatamento ilegal criam insegurança jurídica e distorcem a competição para empresas americanas. Mesmo com audiências públicas e pressão da sociedade civil contrária à medida, o órgão americano avançou. Fontes ouvidas pela imprensa relatam negociações turbulentas: autoridades dos EUA reclamaram sobre o nível de engajamento brasileiro, enquanto representantes do Brasil consideraram as demandas norte-americanas nocivas e mal delineadas, ao ponto de travarem conversas por falta de clareza sobre pedidos específicos.
No Planalto, a reação oficial foi de forte desaprovação; o governo classificou o episódio como um retrocesso nas relações bilaterais e anunciou que estudaria instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade. Ao mesmo tempo, a cúpula do Executivo optou por uma postura contida. Auxiliares informaram que o presidente solicitou estudos de impacto e que a prioridade seria mitigar danos, não necessariamente responder com medidas imediatas que possam elevar ainda mais o custo para consumidores brasileiros. O ministro da Fazenda chegou a avaliar a possibilidade de acionar mecanismos legais, mas em seguida pediu cautela e afastou a ideia de retaliação sumária.
O resultado é uma encruzilhada política e econômica. Para o governo, a decisão expõe dilemas: reagir com força e correr o risco de escalada que pressiona preços internos, ou preservar estabilidade econômica e aceitar medidas que prejudicam setores produtivos. Para a oposição e setores afetados, a tarifa amplia o desgaste sobre a capacidade do Executivo de proteger interesses nacionais sem provocar efeitos colaterais. Mercado e especialistas acompanharam com preocupação: além do choque direto sobre exportadores, a medida complica a agenda externa do Brasil e exige respostas rápidas — abertura de novos mercados e medidas de socorro para setores vulneráveis — que terão custo fiscal e político.