O governo dos Estados Unidos informou nesta sexta-feira (26) que revisou critérios de licenciamento e determinou salvaguardas para permitir o acesso controlado ao modelo de inteligência artificial Mythos 5, da Anthropic. A decisão, comunicada em carta do secretário de Comércio Howard Lutnick à empresa, autoriza apenas um grupo restrito de parceiros considerados confiáveis, em um recuo parcial à ordem de bloqueio de exportação imposta no início do mês.

A Anthropic confirmou ter recebido o aviso e disse que o Mythos 5 — descrito pela empresa como sua versão mais robusta para cibersegurança — poderá ser reimplantado para um pequeno conjunto de especialistas em segurança e provedores de infraestrutura aprovados. A carta não liberou o Fable, a versão menos poderosa, e lembra que, durante o período inicial, a Anthropic chegou a suspender o acesso do modelo para clientes estrangeiros, inclusive alguns funcionários, para cumprir a determinação do governo.

O episódio revela duas consequências claras. Primeiro, a ação expõe a fragilidade de um arcabouço regulatório que tenta conciliar inovação e segurança nacional: sem regras estabelecidas, decisões podem resultar em interrupções bruscas de serviços, custos legais e operacionais e incerteza para clientes e investidores. Segundo, a medida sinaliza um caminho mais intervencionista dos EUA em tecnologia — um movimento que busca conter riscos sem ceder vantagem estratégica a concorrentes, sobretudo a China — mas que também impõe custos imediatos às cadeias de suprimentos e à competitividade das empresas domésticas.

Para o mercado, o caso Anthropic funciona como alerta: empresas de IA e usuários corporativos enfrentam agora maior escrutínio e possibilidade de controles seletivos que fragilizam previsibilidade comercial. Do ponto de vista público, a solução temporária de autorizar acesso restrito indica que a administração prefere mitigar riscos caso a caso, em vez de oferecer um marco regulatório claro e uniforme — uma lacuna que governos e economias dependentes de tecnologia terão de acompanhar de perto.