O secretário de Comércio dos Estados Unidos, Howard Lutnick, afirmou que o governo do presidente Donald Trump avalia impor tarifas sobre semicondutores como instrumento para incentivar a produção doméstica. Em entrevista à CNBC, Lutnick disse que Washington adotará uma política de tarifas “direcionadas” e oferecerá alívio tarifário às empresas que ampliarem a fabricação em solo americano.
A proposta combina pressão comercial com estímulos seletivos: por um lado, impõe custo a importadores; por outro, reduz tributos para quem optar por onshoring. Lutnick resumiu o objetivo com frases diretas: “Os chips deveriam ser construídos nos Estados Unidos” e “Se você construir nos EUA, nós lhe daremos alívio tarifário”. A mensagem é clara: prioridade ao aumento da capacidade produtiva interna em um setor estratégico.
Os chips deveriam ser construídos nos Estados Unidos.
Do ponto de vista econômico, a iniciativa pode redesenhar cadeias globais já tensionadas pela geopolítica e pela escassez de oferta. Tarifas direcionadas tendem a elevar custos de insumos no curtíssimo prazo e a influenciar decisões de investimento das multinacionais; ao mesmo tempo, podem atrair fábricas, mas com custo fiscal e risco de retaliação comercial. Lutnick também criticou o Canadá nas negociações, ampliando o caráter conflitivo da agenda.
No plano financeiro, o secretário demonstrou otimismo sobre os mercados de títulos e projetou estabilização e queda de juros nos próximos seis meses — sinal que busca conter efeitos adversos da volatilidade recente. Em suma, a medida revela uma estratégia clara de industrialização por incentivos e proteção, com implicações para comércio, preços e competição tecnológica global.