O governo dos Estados Unidos anunciou proibição à importação de robôs humanoides e quadrúpedes fabricados por empresas estrangeiras, além de itens usados para integrar energia renovável à rede elétrica. A decisão, apoiada por uma determinação interagências divulgada na segunda-feira (27), cita preocupações de segurança nacional e vulnerabilidades de cibersegurança como justificativas centrais. Modelos já em operação foram excluídos das novas restrições.

A medida tem efeito direto sobre a liderança chinesa no setor: pesquisas mencionadas pelas autoridades apontam que empresas da China representaram cerca de 90% das remessas mundiais no ano passado, e que seis entre as dez startups mais relevantes em patentes são chinesas. Antes do veto, os Estados Unidos eram o principal destino externo para esses androides, conforme a Interact Analysis.

Pequim repudiou a iniciativa. A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores acusou Washington de usar o pretexto da segurança para frear empresas chinesas, e o Ministério do Comércio pediu a revogação imediata, avisando sobre possíveis retaliações. Analistas de mercado observam que o movimento coincide com planos de abertura de capital de fabricantes chineses e pode beneficiar rivais americanos que ainda não alcançaram produção em massa.

Do ponto de vista econômico e institucional, a proibição reduz acesso do mercado americano a fornecedores dominantes e pode estimular ganhos de curto prazo para empresas domésticas, mas também aumenta o risco de represálias e perturbações na cadeia de suprimentos. Em termos políticos, a medida reafirma uma estratégia de contenção tecnológica que protege prerrogativas de segurança, porém impõe custo político e comercial num setor central para a corrida por inteligência artificial.