O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, afirmou em entrevista que Washington e Pequim estão discutindo mecanismos para ampliar cooperação econômica bilateral, incluindo a criação de um Conselho de Comércio e um Conselho de Investimentos. Segundo ele, as conversas antecederam o encontro entre Donald Trump e Xi Jinping em Pequim.

No centro das negociações está a possível remoção de tarifas sobre cerca de US$30 bilhões em setores considerados não estratégicos, sobretudo bens de consumo de baixo valor agregado. Bessent ressaltou que, por ser o país deficitário na relação, os EUA teriam argumentos para buscar concessões, e descreveu a medida como limitada a segmentos que os americanos "não vão repatriar" industrialmente.

A proposta também prevê identificar previamente áreas não sensíveis para que investimentos chineses possam ser analisados fora do escopo do Comitê de Investimentos Estrangeiros (CFIUS). Ainda que isso abra caminho para capital externo em setores civis, a ideia tende a provocar resistências políticas em Washington por preocupações de segurança e por pressões de indústrias nacionais.

Do ponto de vista econômico, a iniciativa busca reduzir atritos comerciais e incentivar maior consumo doméstico na China — um objetivo que Bessent disse ser necessário para reequilibrar a economia chinesa. Politicamente, porém, a flexibilização seletiva de tarifas e o uso de conselhos técnicos podem aliviar tensões estrangeiras sem eliminar o risco de custo interno ao governo, que terá de justificar eventuais concessões a setores afetados.