O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, informou que Washington e Pequim formalizaram um diálogo sobre inteligência artificial e vão abrir um canal para tratar incidentes ligados à tecnologia. A iniciativa prevê nova rodada de conversas em Shenzhen dentro de dois meses, e Bessent não descartou encontros adicionais entre os presidentes Donald Trump e Xi Jinping após esta semana.

Além da agenda de IA, o secretário afirmou ter tratado de tarifas com autoridades chinesas: as equipes estariam mapeando itens que poderiam entrar no regime de 'nação mais favorecida' e, no sentido oposto, avaliando se produtos de energia americanos poderiam ser elegíveis a cortes tarifários. A combinação de abertura técnica em IA e discussões tarifárias sinaliza tentativa de reduzir atritos que pressionam cadeias de suprimento e custos para empresas dos dois lados.

Do ponto de vista dos mercados, Bessent ressaltou ainda correlações incomuns entre os Treasuries e os preços de energia, e disse que será preciso acompanhar se há um choque de oferta no setor. Segundo ele, não houve aceleração da inflação subjacente e os rendimentos dos títulos de longo prazo não subiram muito após ampliação das recompras. Essas observações colocam em perspectiva possíveis efeitos de negociações comerciais sobre taxas, inflação e fluxo de capitais.

A movimentação diplomática tem consequências políticas claras: para os EUA, negociar tarifas e criar canais técnicos de IA pode aliviar pressões sobre cadeias produtivas e custos domésticos; para a China, aumentar o engajamento em temas como o Irã e o sistema financeiro mostra disposição para barganhar em múltiplas frentes. Mas o sucesso dependerá de avanços concretos nos próximos encontros — até lá, o diálogo reduz tensões potenciais, mas não elimina incertezas nem garante mudanças imediatas nas tarifas ou na dinâmica de mercado.