O Tesouro dos Estados Unidos comprou ienes na sexta-feira (31) em operação destinada a sustentar a moeda japonesa, em movimento que o Financial Times descreveu como a primeira intervenção americana nesse sentido com Tóquio em mais de uma década. Segundo o jornal, o Federal Reserve de Nova York vendeu euros por ienes em nome do Tesouro por meio do Goldman Sachs e do Morgan Stanley; nenhuma quantia oficial foi divulgada.
A iniciativa ocorreu em meio a operações repetidas do Japão para conter a desvalorização do iene — dados do banco central indicaram que Tóquio pode ter usado até US$ 58,97 bilhões na quinta-feira para comprar a moeda doméstica — e a possibilidade de um anúncio bilateral já na próxima semana, informou a Kyodo. Fontes também relataram que o Tesouro avisou bancos para que ficassem preparados para futuras ações.
Em comunicado no X, o Ministério das Finanças do Japão afirmou que dispõe de uma “ampla gama de ferramentas” para prover liquidez e citou o acesso à linha de recompra FIMA do Fed, criada em 2020, como alternativa para aumentar dólares sem vender títulos do Tesouro dos EUA. A mecânica usada — vendas de euros por parte do Fed de Nova York — reforça o caráter coordenado e técnico da intervenção, com grandes instituições privadas envolvidas na execução.
Do ponto de vista de política e mercado, a mobilização conjunta aponta para tensão crescente no câmbio e questiona a sustentabilidade de intervenções repetidas. No curto prazo, a notícia ajudou o iene a recuperar terreno: o dólar caiu de picos próximos a 164 ienes para cerca de 157,6 por volta do fim do dia, segundo dados da LSEG. Mas a operação também evidencia limites e custos potenciais para Tóquio e expõe um cenário em que a divergência de políticas monetárias dificilmente será resolvida apenas por compras pontuais.