Uma fonte iraniana de alto escalão disse à Reuters que os Estados Unidos concordaram em liberar ativos iranianos congelados, mantidos no Catar e em outros bancos estrangeiros. Segundo a mesma fonte, o desbloqueio estaria "diretamente ligado" à garantia de passagem segura pelo Estreito de Ormuz, ponto estratégico para o tráfego de petróleo.

Uma segunda fonte citada por agências afirmou que o montante em discussão chegaria a US$ 6 bilhões. Os recursos foram originalmente bloqueados em 2018 após a retomada de sanções e, depois de transferidos ao Catar no âmbito de uma troca de prisioneiros mediada por Doha em 2023, foram novamente congelados após os ataques de 7 de outubro de 2023.

Autoridades americanas não se pronunciaram imediatamente, e o governo do Catar também não comentou até o fechamento desta reportagem. Documentos e declarações públicas anteriores indicam que esses fundos provinham de vendas de petróleo do Ira à Coreia do Sul e que, no acordo de 2023, Washington condicionou o uso a fins humanitários, com supervisão do Departamento do Tesouro.

A notícia combina diplomacia e cálculo estratégico: vincular liberação de ativos à segurança do tráfego em Ormuz é, na prática, um instrumento geopolítico com custo e benefício. Para o Irã, recursos sob supervisão podem aliviar restrições humanitárias; para os EUA, a medida pode preservar influência, mas também expõe a administração a questionamentos sobre coerência das sanções e custo político doméstico. Transparência sobre valores, condições e mecanismos de fiscalização será decisiva para medir o alcance real do acordo.