O mercado de trabalho dos Estados Unidos mostrou sinais de estabilização em maio: foram criadas 172 mil vagas, ante previsão média de 105 mil, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,3%, segundo o Departamento de Estatísticas do Trabalho. Foi o terceiro mês consecutivo com criação superior a 100 mil empregos, um padrão não observado desde o início de 2024.

Os ganhos foram relativamente disseminados. Lazer e hotelaria lideraram com cerca de 70 mil novas contratações — mais que o dobro do resultado de abril —, o setor público adicionou 52 mil postos (sendo 43,5 mil nos governos locais, excluída a educação) e saúde e assistência social somaram 47,2 mil vagas. O quadro mostra recuperação do emprego em serviços, mas sem aceleração salarial robusta.

Os salários médios anuais desaceleraram para 3,4% em maio, de 3,6% no mês anterior. Com as projeções do Índice de Preços ao Consumidor, os ganhos nominais podem ficar quase um ponto percentual abaixo da inflação, corroendo o poder de compra. Como observam economistas, é difícil celebrar a criação de vagas quando o trabalhador mediano enfrenta perda de renda real e dificuldades para honrar compromissos.

Do ponto de vista macro, os números aliviam temores de uma deterioração rápida do mercado de trabalho, mas não eliminam riscos: uma guerra prolongada que pressione preços de combustíveis pode frear o consumo e elevar custos empresariais, pressionando preços ao consumidor. Para autoridades monetárias e fiscais, o dilema persiste — emprego resiliente, porém com salários reais em queda, complica decisões sobre juros, estímulos e mensagens políticas.