O déficit comercial de bens dos Estados Unidos recuou 3,4% em abril, para US$ 82,4 bilhões, segundo relatório preliminar do Departamento de Comércio. O resultado ficou abaixo da previsão média de economistas (US$ 86,5 bilhões), graças a um aumento de 4,0% nas exportações de bens, que somaram US$ 219,7 bilhões.

O avanço nas vendas externas foi concentrado em bens de capital (salto de 7,5%), bens de consumo (+7,8%) e suprimentos industriais (+2,1%), categoria que inclui petróleo. Ao mesmo tempo, caíram exportações de veículos motorizados, peças, alimentos, rações e bebidas. As importações subiram 1,9%, para US$ 302,1 bilhões, impulsionadas por bens de capital (+5,6%).

O relatório sugere que, até agora, a guerra no Oriente Médio — e a interrupção da navegação no Estreito de Ormuz — não alterou de forma substancial os fluxos comerciais americanos. Ainda assim, analistas esperam aumento nas exportações de petróleo nos próximos meses e apontam que o boom de investimentos em inteligência artificial depende fortemente de importações, em especial de chips.

Há fatores com potencial para inverter o quadro: uma recente decisão da Suprema Corte dos EUA, que derrubou amplas tarifas impostas sob a IEEPA, tende a estimular as importações ao longo do ano. Em suma, a queda do déficit em abril oferece alívio temporário, mas a combinação de geopolítica, cadeia de suprimentos para tecnologia e mudanças na política tarifária mantém o balanço comercial sob risco de nova volatilidade.