O secretário de Transportes dos Estados Unidos, Sean Duffy, afirmou que não vê necessidade imediata de um resgate federal para as companhias aéreas de baixo custo que solicitaram US$ 2,5 bilhões em auxílio por causa do aumento do preço do combustível de aviação. A declaração foi dada após a falência da Spirit Airlines e em meio a pedidos formais das low costs por um fundo direcionado para compensar custos de combustível.
O pacote solicitado pelas empresas inclui a criação de um fundo de liquidez de US$ 2,5 bilhões exclusivo para remediar o impacto do combustível, além do pedido ao Congresso para suspender o imposto federal de 7,5% sobre passagens e a taxa fixa de US$ 5,30 por trecho — medidas que, segundo o setor, compensariam cerca de um terço do aumento esperado nos custos. Um grupo formado por Frontier, Avelo e outras rivais também propôs a troca de warrants por apoio governamental.
Duffy disse que o governo pode atuar como credor de último recurso, mas preferiria que as companhias buscassem financiamento no mercado privado. A posição do Departamento de Transportes encontrou eco na Airlines for America, que argumenta que um socorro selectivo premiaria modelos empresariais que não adotaram ajustes e prejudicaria concorrentes que buscaram soluções no mercado — um ponto que agrava o debate sobre risco moral e concorrência.
Do ponto de vista econômico e político, a recusa inicial do governo reduz a exposição fiscal, mas abre caminho para consolidações e pressiona empresas fragilizadas a reestruturar custos ou buscar investidores privados. Para o Executivo, aceitar um resgate significaria escolher vencedores e perdedores em um setor sensível à opinião pública e aos grandes grupos aéreos. Em suma, a proposta das low costs acende um debate sobre disciplina de mercado, custo político e possíveis efeitos sobre preços e capacidade de oferta no curto prazo.