Os Estados Unidos anunciaram tarifas de 50% sobre um conjunto de importações canadenses avaliadas em cerca de US$20 bilhões, com aplicação imediata depois da meia‑noite de sábado (22). A medida, decretada com base na chamada Seção 338, foi divulgada após três dias de conversas em Washington entre representantes comerciais dos dois países que, segundo Ottawa, terminaram sem acordo.

O governo do Canadá suspendeu as negociações e determinou o retorno dos negociadores a Ottawa. Autoridades canadenses classificaram mudanças de última hora propostas pelos americanos como injustas e economicamente inviáveis, e prometeram retaliar na mesma proporção — uma resposta medida, porém capaz de escalonar uma disputa entre aliados tradicionais.

Apesar de atingirem parcela limitada do total das exportações canadenses, as novas tarifas se somam a medidas americanas já vigentes sobre aço, madeira e automóveis. Além disso, foram definidas de forma a valer independentemente de eventuais tratamentos preferenciais previstos no pacto trilateral (USMCA), o que reduz a previsibilidade das regras de comércio para empresas dos dois lados da fronteira.

O choque tem efeitos práticos e políticos: pressiona uma recuperação econômica que vinha sendo descrita como frágil no Canadá, cria incerteza para cadeias produtivas binacionais e complica a agenda de negociações mais amplas. Em termos institucionais, a decisão expõe um custo de credibilidade — ao mesmo tempo em que sinaliza que Washington está disposto a usar medidas abruptas como instrumento de pressão, forçando Ottawa a responder para preservar sua base produtiva e coerência política.