O pacote de sobretaxas anunciado pelos Estados Unidos contra 60 parceiros comerciais inclui uma extensa lista de exceções que reduz substancialmente seu alcance econômico. Um anexo publicado no Federal Register traz 75 páginas com produtos da HTSUS que não seriam alvo das alíquotas de 10% aplicáveis a grande parte dos países — ou de 12,5%, caso específico do Brasil, conforme a decisão.

Entre os itens excluídos estão produtos sensíveis como carne bovina, aviões, suco de laranja, café, celulose, petróleo, terras raras e diversos metais. A indústria têxtil, por sua vez, não ficará totalmente sujeita à sobretaxa: o texto prevê um mecanismo que reduziria a tarifa sobre certo volume de vestuário importado pelo mercado americano.

O efeito prático é duplo: politicamente, os Estados Unidos mantêm um instrumento de pressão ao vincular sanções ao combate ao trabalho forçado; economicamente, porém, as isenções preservam cadeias produtivas críticas e diminuem o impacto sobre setores estratégicos e fornecedores externos. Para países com exportações concentradas nesses itens, a medida tem alcance mais simbólico do que punitivo.

Do ponto de vista comercial e institucional, a lista de exceções complica a narrativa de uma retaliação ampla e anuncia negociações técnicas sobre itens sensíveis. Resta saber se a decisão terá força suficiente para induzir mudanças concretas nas práticas trabalhistas denunciadas, ou se ficará essencialmente como instrumento político de constrangimento.