O secretário de Energia dos Estados Unidos afirmou que, graças a uma ação coordenada com aliados do Golfo e apoio militar, o fluxo de petróleo através do Estreito de Ormuz voltou a níveis pré‑guerra: uma média de sete dias perto de 9 milhões de barris por dia, mais outros 5–7 milhões redirecionados por oleodutos, totalizando até 15 milhões na semana e 20 milhões em um único dia. A mensagem visa transmitir normalidade imediata nas exportações regionais.
Dados de mercado contrastam com essa versão. A Kpler contabilizou 84 trânsitos pelo estreito na semana — apenas nove no domingo — muito abaixo dos mais de 100 trânsitos diários registrados antes do conflito. O JPMorgan estima que o volume real que passa pelo Estreito esteja mais perto de 4 milhões de barris por dia, insuficiente para sustentar os 9 milhões citados pelo governo. Analistas privados dizem haver discrepância relevante entre observação direta e os números oficiais.
Há fatores técnicos que ajudam a explicar a divergência: alguns países esgotaram capacidade de oleodutos, e instalações como o Leste‑Oeste da Arábia Saudita redirecionaram milhões de barris para o Mar Vermelho. Navios podem operar com transponders desligados, mas serviços como a Kpler combinam sinais de navegação e imagens de satélite para estimativas. O Departamento de Energia, por sua vez, garante que seus dados são superiores aos de empresas privadas — uma alegação que não vem com metodologia pública detalhada.
A diferença entre as contagens públicas e privadas tem implicações concretas: sinais confusos sobre oferta afetam preços, atletas do mercado exigem transparência e a administração americana perde margem de confiança em terreno geopolítico sensível. Se os dados oficiais forem percebidos como otimistas demais, cresce o risco de reação dos mercados e de perda de credibilidade diante de aliados e investidores — cenário que exige explicações mais claras sobre fontes e método de cálculo.