O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou em Washington que as tarifas impostas durante a presidência de Donald Trump podem ser restabelecidas até o início de julho. A declaração foi feita no evento WSJ Opinion Live e surge após a Suprema Corte dos EUA ter considerado, em fevereiro, que o presidente excedeu sua autoridade ao aplicar amplas tarifas sob uma lei de emergência.

Para contornar o revés jurídico, o governo americano pretende valer-se da Seção 301, dispositivo da lei de comércio de 1974 que autoriza investigações e a imposição de tarifas quando práticas estrangeiras oneram o comércio dos EUA. Bessent argumentou que a Seção 301 já foi testada nos tribunais, o que, na visão do governo, confere maior previsibilidade a empresas e investidores. Uma investigação baseada nesse dispositivo inclui 59 países, entre eles o Brasil, e examina o uso de trabalho forçado em cadeias produtivas.

Do ponto de vista prático, a reintrodução das tarifas, ainda que por outra via legal, amplia o risco para exportadores brasileiros e empresas com cadeias integradas ao mercado americano. Maior proteção tarifária nos EUA tende a elevar custos de adaptação, gerar incerteza para contratos e obrigar empresas a recalcular preços e estratégias comerciais. Em Brasília, a sinalização exige monitoramento e articulação diplomática para mitigar impactos e defender setores mais expostos.

Politicamente, a opção por uma rota jurídica testada mostra que Washington quer preservar instrumentos de pressão comercial sem depender de declarações de emergência. Para investidores, trata-se de um sinal de que o risco regulatório e político no comércio internacional segue elevado. O cenário descrito por Bessent é, por ora, um retrato do momento: possibilita retorno das tarifas, mas não garante inevitabilidade — exige atenção dos agentes econômicos até julho.