O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quinta-feira (4) que Washington tem pressionado parceiros comerciais — citando nominalmente o Brasil, além de Europa, Índia e Canadá — contra a adoção de tributos sobre serviços digitais. Na audiência na Câmara dos Representantes, Bessent justificou a estratégia como defesa das empresas americanas de tecnologia, argumentando que o “ecossistema” dos EUA não pode ser prejudicado por medidas que afetem desproporcionalmente suas companhias.
A declaração coloca em relevo um conflito crescente entre reivindicações de arrecadação por parte de países que buscam tributar receitas digitais e a resistência dos Estados Unidos, que veem risco à competitividade de suas empresas. Para o Brasil, a pressão externa adiciona uma camada de dificuldade a um debate já complexo sobre modernização e arrecadação tributária, sobretudo enquanto o governo e o Congresso buscam alternativas para ampliar receitas sem elevar formalmente a carga sobre produção e emprego.
No campo econômico, o recado americano tende a influenciar negociações multilaterais e bilaterais, reduzindo o espaço para regras nacionais mais agressivas sobre serviços digitais ou determinando compensações em outras frentes do comércio. A posição de Washington também reforça o poder de barganha das grandes plataformas nas discussões sobre base tributável e local de tributação — temas centrais para países que tentam capturar parte do valor gerado por usuários e dados locais.
Politicamente, a intervenção expõe um dilema para Brasília: alinhar-se à pressão exterior e preservar relações comerciais e investimentos, ou reafirmar autonomia fiscal e buscar soluções que ampliem a arrecadação em um ambiente digital em rápida expansão. O episódio deve ganhar espaço no debate sobre reforma tributária e comércio, testando tanto a capacidade de articulação do governo quanto a resistência de setores afetados pela mudança nas regras globais.