O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) recomendou na noite de segunda-feira a imposição de uma tarifa de 25% sobre as importações vindas do Brasil, salvo mercadorias enquadradas em exceções de segurança nacional. No documento, os EUA listam um conjunto de reclamações que vão de supostas “ordens judiciais secretas” exigindo remoção de conteúdo por plataformas a penalidades judiciais elevadas, decisões do STF que ampliariam a responsabilidade das plataformas, e a atuação simultânea do Banco Central como regulador e operador do Pix — apontada como risco de favorecimento ao sistema doméstico.
O relatório também destaca acordos tarifários preferenciais do Brasil com México e Índia, que teriam reduzido a presença de produtos americanos em setores como veículos, químicos e maquinário, além da cobrança assimétrica sobre o etanol — tarifa de 18% desde 2023 que, segundo os EUA, fez as exportações americanas para o Brasil cair 87% em valor desde o pico de 2018. São citadas ainda falhas no combate à corrupção (com menção a anulações de provas e acordos reabertos) e uma atuação considerada insuficiente contra pirataria digital e proteção de propriedade intelectual.
Do ponto de vista econômico e político, a proposta americana complica a narrativa oficial. Uma tarifa generalizada elevaria custos para importadores e consumidores, pressionaria cadeias produtivas e poderia reduzir o ritmo de investimentos externos, ao mesmo tempo em que expõe fragilidades em gestão regulatória e segurança jurídica. O USTR alega também que incentivos tarifários estimulam realocação de produção para terceiros países, o que reforça riscos estruturais para setores exportadores brasileiros.
A alternativa para Brasília é dupla: abrir um canal diplomático e técnico com Washington para negociar exceções e remediar pontos apontados, e aperfeiçoar medidas internas que toquem regulação do Pix, proteção intelectual, eficácia anticorrupção e fiscalização contra pirataria. Sem resposta convincente, a recomendação americana tende a se transformar em custo econômico e político real para fabricantes, exportadores e para a reputação do país no mercado internacional — um sinal de alerta que exige reação coordenada e pragmática.