O governo federal avalia como "muito provável" que os Estados Unidos apliquem uma tarifa adicional de 12,5% sobre produtos originários de 60 países, entre eles o Brasil, informou o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. A alíquota foi proposta pelo USTR como possível substituta da medida emergencial de 10% que vence na próxima semana, após decisão da Suprema Corte norte-americana sobre o assunto.

O documento do Representante Comercial dos Estados Unidos aponta que essas economias não teriam adotado ou aplicado efetivamente proibições à importação de bens produzidos com trabalho forçado. O texto do USTR cita 54 países sujeitos à tarifa de 12,5% e outras seis economias com previsão de 10%, sem discriminar setores ou produtos específicos no comunicado divulgado em junho.

A perspectiva de taxação adicional acende um sinal de alerta para exportadores e para a agenda comercial do governo. Uma tarifa desse porte teria efeito direto sobre a competitividade de mercadorias brasileiras no mercado americano, elevando custos e cobrando do Executivo provas concretas de fiscalização e ações para mitigar riscos reputacionais e comerciais.

Politicamente, a proposta amplia a pressão sobre a administração para demonstrar avanços na governança sobre cadeias produtivas e no combate ao trabalho forçado. A resposta oficial deverá combinar diplomacia e medidas internas que atestem aplicação de normas — caso contrário, a consequência prática será um encarecimento das exportações e potencial perda de espaço em mercados-chave.