O governo brasileiro aguarda um último encontro com representantes do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) antes da decisão que pode sair nesta quarta-feira (15). Será o quinto encontro do grupo de trabalho criado após a visita de Lula a Donald Trump; Márcio Elias e Jameson Greer aparecem como interlocutores centrais nas tratativas.
Analistas e participantes do processo avaliam que, embora a investigação seja técnica — pela chamada seção 301 —, há forte componente político no caso. Josemar Franco, gerente de comércio internacional da BMJ, disse à imprensa que o governo americano tem se mostrado sensível às pressões do empresariado, e que o lobby privado pode influenciar decisivamente a imposição ou não das tarifas.
A medida em discussão prevê a aplicação imediata de 25% sobre diversos produtos brasileiros. Há ainda o risco de uma sobretaxa adicional de 12,5% em outra investigação — o que elevaria a alíquota combinada a 37,5%. Franco destacou que cadeias como a do café solúvel — em que o Brasil atua como fornecedor praticamente insubstituível —, além do setor moveleiro e de papel, ficariam com competitividade severamente comprometida.
No Palácio do Planalto a expectativa predominante é a de que as tarifas sejam efetivamente impostas; um adiamento é tratado como hipótese remota. A manutenção da estratégia de não ceder a pedidos considerados injustificáveis cria impasse: caso a sobretaxa se confirme, o efeito direto será sobre receitas de exportação, competitividade das cadeias produtivas e custo político para o governo.