O governo dos Estados Unidos anunciou uma sobretaxa de 12,5% sobre uma lista de produtos ligada a supostas violações no combate ao trabalho forçado, o que, somado à tarifa de 25% já em vigor desde quarta (22), eleva para 37,5% a alíquota aplicável a setores como calçados, máquinas, equipamentos, peças, componentes e químicos não farmacêuticos. O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Marcio Elias Rosa, classificou a medida como "ilegítima e descabida" em entrevista ao final da noite de quinta (23).
Segundo o MDIC, cerca de 2 mil produtos exportados pelo Brasil não serão atingidos por nenhuma das duas tarifas — entre eles carne, café, suco de laranja e frutas. Outros itens, como celulose e pescados, passaram a ter incidência da nova sobretaxa de 12,5%, ainda que alguns, como a celulose, não estivessem incluídos anteriormente. A pasta diz que segue avaliando a lista e os impactos concretos por segmento.
A cumulatividade das alíquotas representa aumento direto de custos para exportadores dos setores afetados, reduzindo margens e potencialmente comprimindo a competitividade brasileira no mercado norte-americano. Para cadeias com alto conteúdo de peças e componentes, a sobreposição tributária tende a apertar fornecedores e pode pressionar preços e emprego no curto prazo. O ministro informou que o governo fará contatos com os EUA no mês que vem para tratar do tema.
A medida também impõe um desafio prático e político ao Executivo: além de avaliar ações de defesa no âmbito do comércio exterior, será necessário articular medidas de suporte às empresas mais expostas e monitorar efeitos sobre fornecedores e áreas regionais sensíveis. A nova alíquota passa a vigorar às 01h01 desta sexta (24), horário de Brasília; mercadorias já em trânsito terão até terça (28) para entrar nos EUA sem a cobrança adicional.