A decisão do USTR (Representante Comercial dos EUA) sobre a aplicação de sobretaxas de até 25% sobre produtos brasileiros tem prazo final nesta quarta-feira. A medida decorre de investigação prevista na Seção 301 e foi discutida em audiências que ouviram setores do Brasil. Brasília tenta, por via técnica, ampliar a lista de exceções em reunião que envolveria um grupo de trabalho com o chefe do USTR, Jamieson Greer; o presidente Lula manteve encontro com ministros para definir a linha de atuação: negociar sem fazer concessões não justificadas.
As consequências econômicas, se as alíquotas forem confirmadas, são significativas. Levantamento da CNI aponta que cerca de 4,1 mil produtos brasileiros poderiam ser afetados, somando US$ 14,9 bilhões nas exportações. Além da sobretaxa de 25%, há proposta paralela de 12,5% ligada a investigação sobre trabalho forçado, o que elevaria o efeito combinado sobre algumas mercadorias a 37,5%. A confederação alerta para aumento de custos em cadeias integradas e impactos sobre empresas e consumidores.
O agronegócio também aparece entre os setores mais atingidos: estudo da Farsul estima que US$ 4,2 bilhões em vendas ao mercado americano seriam diretamente prejudicados, o que representa cerca de 36,8% das exportações do setor aos EUA. Produtos como madeira processada (US$ 1,64 bi), sebo bovino (US$ 416 mi), complexo sucroalcooleiro (US$ 401 mi) e o café solúvel (US$ 1 bi em 2025) figuram entre os mais expostos. Algumas linhas, como carne bovina, café verde e suco de laranja, já foram incluídas em exceções, mas entidades pressionam por ampliação da lista.
Fontes do setor ouvidas em audiências com o USTR dizem não acreditar em adiamento ou reversão total da sobretaxa de 25%, o que reduz margem de manobra política. Em Brasília, a perspectiva é de buscar mais exclusões técnicas, mas o episódio expõe o custo econômico e político de fricções comerciais com o principal parceiro. Se confirmado, o pacote de tarifas exigirá respostas coordenadas do governo, pressão diplomática e medidas de mitigação para preservar cadeias produtivas e empregos.