Os Estados Unidos propuseram uma combinação de tarifas que pode elevar encargos sobre produtos brasileiros a 37,5%, segundo análise citada no programa Hora H. A soma resulta de uma alíquota de 25%, ligada a práticas comerciais, e uma adicional de 12,5% por questões de trabalho forçado. Uma sobretaxa anterior de 10% perdeu validade e a tentativa americana de renová‑la não prosperou; o novo desenho agrava a carga máxima possível sobre itens específicos.

Apesar do percentual elevado, uma parcela significativa da pauta tem isenção: 56,5% estaria livre da tarifa de 25% e 52,3% não sofreria a cobrança de 12,5%. Produtos como suco de laranja, aviões e carne bovina constam entre os que não seriam afetados por nenhuma das duas medidas. Ainda assim, o impacto não é uniforme: máquinas e equipamentos, agroindústria, armas, munição e têxteis aparecem como os setores mais expostos à dupla tributação.

A concentração do risco em segmentos industriais tem implicações práticas. No caso de máquinas e equipamentos, a fabricação conforme normas americanas e contratos de longa duração dificultam o redirecionamento rápido das encomendas para outros mercados. Embora o Brasil já tenha demonstrado capacidade de buscar destinos alternativos — Europa, Ásia e América Latina —, a necessidade de readequar cadeias e prazos torna o choque mais gravoso para fabricantes e exportadores ligados a acordos firmes.

Politicamente, o movimento dos EUA sinaliza maior foco na proteção da indústria doméstica do que no agronegócio brasileiro, e coloca Brasília diante da urgência de reagir: negociar isenções, articular defesa comercial e oferecer mecanismos de mitigação para setores vulneráveis. Economicamente, a medida tende a ser limitada no agregado por causa das isenções, mas pode gerar perdas concentradas, pressionar margens e forçar ajustes de curto prazo em empresas e cadeias exportadoras — um ponto que o governo terá de administrar com pragmatismo e coordenação.