A chefe da diplomacia da União Europeia, Kaja Kallas, questionou a justificativa apresentada pelos Estados Unidos para a imposição de novas tarifas sobre produtos europeus, afirmando que as alegações sobre falhas no combate ao trabalho forçado não têm fundamento diante das leis trabalhistas e proteções existentes no bloco.

A medida de Washington entrou em vigor com alíquotas de 10% e 12,5% aplicadas a produtos de cerca de 60 parceiros comerciais — um movimento que substituiu uma tarifa global temporária. O governo americano justifica a iniciativa por supostas lacunas no combate ao trabalho forçado; Bruxelas diz ter cumprido os acordos e vai buscar esclarecimentos.

Os impactos já reverberam: a Noruega informou que não pretende retaliar, enquanto a Suíça e associações empresariais locais rejeitaram as acusações e alertaram para a desvantagem competitiva imposta às exportações suíças. A Economiesuisse disse não haver evidências de que cadeias de fornecimento helvéticas utilizem trabalho forçado.

Além do efeito direto sobre custos e competitividade dos exportadores europeus, a decisão americana fragiliza confiança mútua e complica o arcabouço de cooperação transatlântica em temas comerciais. Há risco de maiores custos para empresas e incerteza para cadeias de suprimento que já operam em ambiente global volátil.

Politicamente, a surpresa da medida e a alegada incompatibilidade com acordos recentes expõem a tensão entre a retórica de segurança comercial dos EUA e a necessidade de previsibilidade nas relações externas. A UE afirmou que acompanhará a investigação americana e avaliará respostas formais, enquanto o mercado testará os efeitos práticos dessa escalada tarifária.