A Eve, subsidiária da Embraer focada em aeronaves elétricas de decolagem e pouso vertical (eVTOL), registrou prejuízo líquido de US$ 34,2 milhões no segundo trimestre de 2026, frente a perdas de US$ 64,7 milhões no mesmo período de 2025. A companhia atribuiu grande parte da redução ao corte nas despesas de pesquisa e desenvolvimento, que caíram para US$ 28,9 milhões ante US$ 45,7 milhões um ano antes.

Embora o recuo do prejuízo seja relevante numericamente, a Eve ainda não gera receita operacional e continua na fase intensiva de desenvolvimento e certificação do programa. A empresa reconhece que seus resultados seguem fortemente influenciados pelos custos de desenvolvimento e pelas atividades associadas ao Master Service Agreement (MSA) com a Embraer, o que reforça a dependência do cronograma e do suporte industrial do grupo controladora.

No trimestre, o consumo de caixa foi de US$ 49,4 milhões, abaixo dos US$ 56,9 milhões do ano anterior. Ao fim de junho, o saldo de caixa, equivalentes e investimentos financeiros somava US$ 403,3 milhões; a liquidez total reportada, que inclui linhas de crédito não sacadas com o BNDES e uma subvenção, atingiu US$ 531,3 milhões. A companhia afirma que esses recursos seriam suficientes para sustentar operações e investimentos do programa até 2028 — uma previsão que, na prática, dependerá de ritmo de desembolso, evolução do projeto e condições de mercado.

Outros indicadores operacionais mostram estabilidade: despesas de vendas, gerais e administrativas ficaram praticamente inalteradas (US$ 8,3 milhões ante US$ 8,2 milhões) e o quadro de funcionários diretos manteve-se em 185. A empresa reportou também redução de cerca de 5% em gastos com pessoal e terceirização, apesar da valorização de ~8% do real frente ao dólar, citando captura de sinergias com a Embraer. Em suma, a melhora contábil ameniza a pressão no curto prazo, mas a ausência de receita e a necessidade contínua de capital mantêm o projeto exposto a riscos de cronograma e financiamento.