Roberto Azevêdo, ex-diretor da Organização Mundial do Comércio, avaliou que as chances de uma reversão significativa do chamado 'tarifão' imposto pelos Estados Unidos são pequenas no momento atual. Em entrevista ao WW, ele disse que há pouco espaço para alterar o curso da medida no curto prazo, colocando em xeque expectativas de uma retomada rápida das negociações comerciais.

O cenário descrito por Azevêdo não é uma surpresa: a administração americana reconfigurou medidas anteriores depois de decisão da Suprema Corte que contestou a fundamentação em emergência nacional. A investigação em curso tem prazo previsto para encerrar em meados de julho, e a nova ação mantém o mesmo universo tarifário, mas com alíquota reduzida de 40% para 25%. Além disso, há uma segunda Seção 301, ligada a trabalho forçado, que prevê tarifas mínimas entre 10% e 15% e atinge cerca de 60 países.

O ex-diretor da OMC ressaltou que a iniciativa não mira especificamente o Brasil — centenas de nações são afetadas —, mas destacou que o impacto prático sobre exportadores e cadeias produtivas será real. Ele citou contatos iniciais entre o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer, e o ministro do MDIC, Márcio Elias Rosa, mas classificou as tratativas como ainda incipientes, sem avanços capazes de reverter a medida.

Na leitura política e econômica, a avaliação de Azevêdo aponta para um quadro de pressão continuada sobre competividade externa e possível necessidade de respostas domésticas para mitigar efeitos. Ajustes pontuais nas tarifas são plausíveis, segundo o especialista, mas uma reversão dramática — que aliviasse custos e riscos de mercado — parece remota no horizonte imediato.