As exportações chinesas registraram crescimento modesto de 2,5% em março, segundo dados da alfândega, uma mínima em cinco meses e bem abaixo do salto de 21,8% observado em janeiro-fevereiro. Economistas consultados projetavam avanço de 8,3%. O recuo coincide com o aumento dos custos de energia e transporte provocado pela guerra no Oriente Médio, que freou a demanda externa por eletrônicos e bens industriais.
O impacto apareceu na balança: o superávit comercial de março ficou em US$ 51,13 bilhões, bem inferior à expectativa de US$ 108 bilhões. Ao mesmo tempo, as importações avançaram 27,8% — a maior alta desde novembro de 2021 —, superando o crescimento de 19,8% do janeiro-fevereiro e as previsões de 11,2%. A combinação de receitas externas mais fracas e custos maiores reduz o espaço de manobra para exportadores.
O episódio reforça a vulnerabilidade do modelo de crescimento chinês baseado na manufatura e na demanda externa, cenário que já vinha sendo parcialmente compensado pelo boom inicial de eletrônicos ligado à inteligência artificial no começo de 2026. Com custos de energia e frete em elevação, projetos de expansão em setores sensíveis a preços, como chips e servidores, podem ser postergados, limitando o potencial de recuperação rápida das vendas externas.
Para a economia global, a desaceleração chinesa é mais um fator de risco sobre um crescimento já frágil. No plano doméstico, a situação coloca pressão política sobre Pequim para avançar em medidas de reequilíbrio — estímulo ao consumo interno ou políticas direcionadas a cadeias produtivas —, enquanto empresas exportadoras enfrentam aperto de margem e necessidade de ajustar preços ou cadeias de suprimento diante de custos mais altos.