Em entrevista à margem do Farnborough Air Show, o vice-administrador da FAA, Chris Rocheleau, afirmou que a agência está "mais perto do que nunca" de certificar os 737 MAX 7 e MAX 10, com o 777X previsto a seguir. A declaração alivia, em parte, uma fila de incertezas que se arrasta há anos sobre os modelos da família MAX, mas não elimina pressões comerciais e regulatórias para a Boeing.
Dados da consultoria Cirium mostram que a fabricante já construiu cerca de 30 unidades do MAX 7 e nove do MAX 10, todas à espera de entrega — o MAX 10 representa pelo menos 28% dos pedidos pendentes da linha MAX. A Boeing informou que está na fase final de obtenção de uma correção no sistema anti-gelo do motor do 737 MAX, um dos pontos examinados no processo de certificação.
O ritmo mais exigente da certificação decorre de um histórico recente que inclui dois acidentes fatais envolvendo o MAX 8, em 2018 e 2019, e a explosão de um painel de cabine em voo, em janeiro de 2024, num MAX 9 da Alaska Airlines. Em resposta, o administrador da FAA, Bryan Bedford, disse que houve aprimoramento do trabalho de certificação e que os fluxos de trabalho relativos à Boeing aumentaram entre 35% e 40%. Bedford atribuiu parte das dificuldades anteriores a mudanças frequentes de prioridade por parte da fabricante.
Do ponto de vista econômico, a perspectiva de certificação resolve um gargalo operacional: unidades prontas para entrega podem finalmente gerar receita e reduzir pressão sobre transportadoras e contratos de leasing. Mas o atraso prolongado tem custo reputacional e comercial para a Boeing, que precisa converter pedidos em entregas sem sacrificar a confiança regulatória. Para o mercado e para os compradores, a agenda anunciada pela FAA é um retrato do momento — indica avanço, mas não garante prazos finais nem elimina o escrutínio que permanece sobre produção, qualidade e segurança.