Um estudo da Consultoria de Orçamento da Câmara aponta que o país já vive um quadro de “fadiga fiscal”: a dívida bruta do governo geral subiu para 81,1% do PIB em maio — cerca de R$ 10,6 trilhões — e, se a trajetória atual se mantiver, poderá ultrapassar 100% do PIB entre 2032 e 2035. O diagnóstico coloca limites explícitos à capacidade de o Estado estabilizar a relação dívida/PIB apenas com superávits primários.
O relatório ressalta que há barreiras tanto para elevar a carga tributária quanto para enxugar despesas correntes, sobretudo diante de uma transição demográfica que tende a pressionar gastos. Segundo o autor do levantamento, Paulo Bijos, estabilizar a dívida no patamar atual demandaria um ajuste fiscal anual na ordem de R$ 330 bilhões — enquanto as despesas não obrigatórias previstas no Orçamento de 2026 giram em torno de R$ 240 bilhões.
A persistência da trajetória explicaria por que o Brasil registra uma das maiores altas da dívida entre países do G20, atrás apenas da China, segundo levantamento divulgado pelo Farol da Oposição (Instituto Teotônio Vilela). O resultado é um espaço fiscal cada vez mais apertado, com custo político e econômico: menos margem para políticas anticíclicas em crises e maior pressão sobre prioridades orçamentárias.
Do ponto de vista prático, o estudo reforça que o governo eleito precisa apresentar, já no projeto do PLDO 2028, propostas estruturais e críveis — não apenas ajustes pontuais — para recompor a confiança dos mercados e garantir capacidade de resposta em choques futuros. A omissão ou medidas tímidas tendem a aumentar o custo político da próxima gestão e a limitar alternativas econômicas, exigindo respostas que conciliem responsabilidade fiscal, eficiência administrativa e proteção ao crescimento.