O chamado 'inverno cripto' tem se traduzido em mais que perdas para investidores: eleva a pressão sobre empresas que operam exchanges e amplia a incidência de falências no setor. Levantamento da BlockVerify indica 211 quebras em 2020, 287 em 2022 e 301 casos apenas até setembro de 2026, sinalizando uma tendência de deterioração que merece atenção.

Ao contrário de depósitos bancários cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), recursos mantidos em corretoras de criptoativos não contam com proteção padronizada. Em caso de colapso, a recuperação de saldo depende da jurisdição da plataforma, dos contratos assinados pelos clientes e da natureza dos ativos — fatores que retardam e, por vezes, inviabilizam a restituição imediata do patrimônio.

Especialistas ouvidos no debate sobre o tema ressaltam que o risco não se limita a startups recentes: colapsos de grandes nomes, como o caso da FTX em 2022, mostram que empresas com grande porte também podem fracassar. Na prática, isso reforça a importância de checar histórico, capitalização, governança e transparência operacional das exchanges. A autocustódia aparece como alternativa técnica, mas transfere ao investidor a responsabilidade integral pela guarda das chaves privadas.

Do ponto de vista do mercado, a onda de quebras tende a reduzir confiança, aumentar custo de captação para plataformas e acelerar um processo de consolidação: operações menores podem sair do mercado ou ser compradas por rivais mais robustos. Para reguladores e formuladores de políticas, os números da BlockVerify acendem alerta sobre proteções insuficientes e a necessidade de maior clareza legal sobre recuperação de ativos e insolvência de prestadores de serviços cripto.

Para o investidor, o caminho é prático: priorizar corretoras com histórico e transparência, diversificar custódia entre plataformas e, quando possível, avaliar a autocustódia com disciplina de segurança. O tema ganhou espaço no programa Resenha do Dinheiro, que discute educação financeira com apoio da B3 e da gestora BlackRock — um lembrete de que debate público e informação técnica crescentes são parte da resposta ao risco.