A Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda manteve, nesta sexta-feira, a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto em 2,3% para 2026, depois do avanço de 1,1% no primeiro trimestre, divulgado pelo IBGE. A manutenção da estimativa ocorre apesar da aceleração inicial, pois a pasta antecipa uma desaceleração na margem nos segundo e terceiro trimestres com a “dissipação do efeito de políticas públicas”, parcialmente compensada pela redução do custo do crédito.
No diagnóstico do ministério, o motor do crescimento deve voltar a ganhar tração apenas no quarto trimestre, puxado pela indústria, à medida que a taxa Selic for reduzida. Essa leitura mantém a confiança em retomada no fim do ano, mas também expõe a projeção a duas condições externas à contabilidade: a persistência do estímulo temporário e a trajetória de juros definida pelo Banco Central. Se a queda da Selic for mais lenta ou se os efeitos das medidas públicas se esgotarem mais rápido, o cenário de 2,3% fica mais frágil.
Para o governo, manter a estimativa sinaliza estabilidade nas expectativas, porém limita margem de manobra fiscal e política: um crescimento apenas moderado torna mais difícil aumentar gastos sem comprometer a responsabilidade orçamentária. A dependência de políticas públicas de efeito temporário e da baixa do custo do crédito reforça a necessidade de prioridades voltadas à eficiência administrativa e ao crescimento sustentável, em vez de apostar exclusivamente em alavancas de curto prazo.
O número divulgado pelo IBGE e a projeção da SPE pintam um quadro de recuperação ainda heterogênea. O que vai determinar se a economia convergirá para a meta de 2,3% são a confirmação da queda do custo do crédito, o desempenho da indústria e a persistência dos estímulos públicos. São esses pontos que o mercado e a sociedade devem acompanhar de perto nas próximas leituras de atividade e nas decisões de política monetária e fiscal.