A Secretaria de Política Econômica (SPE) calcula que a valorização do barril de petróleo pode render ao governo federal cerca de R$ 8,5 bilhões por mês em 2026. O ganho agregado considera maior recolhimento de royalties, dividendos de estatais, arrecadação de IRPJ e CSLL e o imposto de exportação, segundo o boletim macrofiscal divulgado pela equipe econômica.

Esse montante supera o custo primário estimado das medidas anunciadas para mitigar a alta dos combustíveis, que a SPE aponta em R$ 6,2 bilhões mensais. Importante: a projeção não incorpora a subvenção da gasolina de até R$ 0,89 por litro nem eventual prorrogação do subsídio do diesel, itens que elevariam o custo fiscal caso mantidos.

A base da projeção é uma cotação média de US$ 91,25 por barril — cenário que amplia receitas do Brasil como exportador líquido de petróleo. Mas trata-se de receita atrelada a choques externos e, portanto, volátil: ganhos recentes podem se reverter com queda nos preços ou desaceleração da demanda global, fragilizando a folga fiscal estimada.

Do ponto de vista político e orçamentário, o resultado abre espaço temporário para o governo reduzir pressões sobre o caixa ou recompor medidas compensatórias. Ao mesmo tempo, cria dilema: usar a receita para ajustes estruturais ou para despesas de curto prazo que podem se provar insustentáveis se o preço do petróleo recuar.