Representantes do comércio e da indústria se reuniram nesta terça-feira (26) com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, para tratar da PEC que prevê o fim da escala 6x1. A FecomercioSP, por meio de seu presidente, sustentou que o texto em debate não contempla a diversidade regional e setorial do Brasil e, por isso, não atende às necessidades do país. O encontro resultou em ganho político imediato: o empresariado conseguiu tempo adicional para analisar a proposta.
Segundo a federação, transformar em emenda constitucional uma solução padronizada para regimes de trabalho tão distintos é arriscado. A crítica central é de que a proposta foi formulada de maneira homogênea, sem considerar especificidades locais, tamanhos de empresas e dinâmicas setoriais. Pela avaliação empresarial, a velocidade da tramitação compromete a profundidade técnica necessária para mudanças constitucionais que têm efeitos trabalhistas e econômicos amplos.
A Fiesp também manifestou desalento com o texto que veio da Câmara e pediu que o debate seja conduzido com calma, ainda que com celeridade técnica. Líderes do setor classificaram a proposta como desalinhada à realidade de diferentes mercados e reclamaram falta de diálogo prévio. Parlamentares da comissão especial já ouviram representantes em seminários estaduais, mas o empresariado sustenta que não houve escuta suficiente antes da redação apresentada na Câmara.
Do ponto de vista econômico e institucional, a pressa para aprovar mudança constitucional pode gerar insegurança jurídica e custos adicionais para empresas e trabalhadores — do contingente de horas extras à reestruturação de escalas em serviços essenciais. Ao reconhecer a complexidade, o presidente do Senado abriu espaço para aprofundamento; resta agora transformar essa acomodação em estudos técnicos e negociações capazes de evitar uma solução de tamanho único que pode onerar o setor produtivo e provocar contestações judiciais.