A Federação do Comércio do Estado de São Paulo (FecomercioSP) identificou uma elevação da rotatividade no comércio atacadista paulista: a taxa de turnover subiu para 47,3%, ante 45% há três anos. Para o setor, o fenômeno deixa de ser mero indicador de mercado aquecido e vira fonte direta de custo e perda de produtividade.
Empresas relatam aumento de despesas com recrutamento, exames admissionais e treinamentos, além de um efeito mais difícil de mensurar: o tempo até que o novo colaborador alcance produtividade plena. No atacado, onde o conhecimento do mix de produtos, da carteira de clientes e da logística é central, essa lacuna reduz eficiência e pode pressionar margens.
A FecomercioSP vincula a alta na rotatividade à escassez relativa de profissionais qualificados em um cenário de baixo desemprego, em que o trabalhador tende a migrar por melhores salários e benefícios. O estudo aponta altas expressivas nas categorias de eletrônicos, informática, alimentos e bebidas e farmacêuticos, todas com avanço de 4,6 pontos percentuais em relação a 2023.
Em contraponto, segmentos como papel e sucata, tecidos e maquinaria industrial registraram redução na rotatividade. O grupo de produtos médico-hospitalares e odontológicos teve a menor taxa (32%), refletindo busca por especialização. Para enfrentar o problema, a Federação recomenda que empresas invistam em gestão de pessoas, planos de carreira e articulação com centros de formação como o Senac-SP.